Césio-137: saiba como estão as principais vítimas em Goiânia

Os impactos do acidente com Césio-137 ocorrido em 1987, as mortes e consequências enfrentadas por vítimas ao longo dos anos, foram retratadas na série do Netflix Emergência Radioativa. As informações são do Metrópoles.O desastre radiológico teve início quando uma cápsula de radioterapia abandonada foi aberta e o conteúdo passou a circular entre moradores sem conhecimento dos riscos. A contaminação atingiu centenas de pessoas e mobilizou uma grande operação de saúde pública.Autoridades monitoraram 112,8 mil pessoas, com 249 casos de contaminação confirmados e 129 pacientes sob acompanhamento médico. Casos mais graves seguiram para tratamento no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Nas semanas seguintes, quatro mortes ocorreram diretamente ligadas à radiação, enquanto outras vítimas perderam a vida anos depois. Sobreviventes ainda convivem com efeitos físicos e psicológicos.Leide das Neves Ferreira tinha 6 anos quando teve contato com o pó de coloração azul levado para casa. A criança manipulou o material e ingeriu a substância ao se alimentar com as mãos contaminadas. A morte ocorreu em 23 de outubro de 1987 em razão da exposição à radiação.Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair Ferreira, desconfiou dos efeitos do material e levou a substância à Vigilância Sanitária, contribuindo para interromper a exposição. A morte ocorreu em 23 de outubro de 1987, aos 37 anos, também ligada à radiação.Israel Baptista dos Santos trabalhava no ferro-velho e participou da abertura do equipamento, mantendo contato direto com o conteúdo radioativo. A morte ocorreu em 27 de outubro de 1987, aos 22 anos, devido à contaminação.Admilson Alves de Souza atuava no mesmo local e ajudou a desmontar o aparelho, mantendo contato com o material que chegou a ser mostrado a outras pessoas. A morte ocorreu em 18 de outubro de 1987, aos 18 anos, em consequência da exposição.Devair Alves Ferreira era proprietário do ferro-velho onde a cápsula foi aberta. Sobreviveu aos efeitos iniciais, mas morreu sete anos depois, aos 43 anos, com cirrose hepática. Após o acidente, enfrentou depressão e sentimento de culpa, além de desenvolver alcoolismo.Ivo Ferreira, pai de Leide, morreu 15 anos após o desastre. A causa foi enfisema pulmonar associado ao tabagismo e a sequelas relacionadas à exposição. Ivo também enfrentou sofrimento emocional após a perda da filha.Odesson Alves Ferreira, irmão de Devair, teve contato com o material na casa do familiar. Durante o período de contaminação, trabalhou como motorista de ônibus transportando grande número de passageiros. Ficou isolado por meses, perdeu parte da mão e teve dedo amputado. Atualmente atua na defesa dos direitos das vítimas.Lourdes das Neves perdeu a filha Leide e teve a residência destruída por contaminação. Após o acidente, dedicou-se aos cuidados com o marido. Atualmente vive em imóvel concedido pelo governo de Goiás e tem 74 anos.Luiza Odete, tia de Leide, entrou em contato com o material após ser chamada para ver a “pedrinha iluminante”. Durante uma brincadeira, o material foi passado em seu pescoço, causando lesões graves. Permaneceu internada por meses e possui cicatrizes permanentes. Hoje tem 66 anos.Geraldo da Silva Pontes ajudou a transportar a cápsula até a Vigilância Sanitária, carregando o objeto no ombro por dois quarteirões. Também foi contaminado e mantém marcas no corpo até hoje. Atualmente tem 72 anos.