Três décadas após o acidente aéreo que silenciou a irreverência do grupo Mamonas Assassinas, a trajetória de Mirella Zacanini desperta curiosidade e ressurge como um exemplo de superação e ressignificação. Em março de 2026, data que marca os 30 anos do luto nacional pela banda, a vida daquela que foi a primeira namorada séria do vocalista Alecsander Alves, o Dinho, tomou rumos de profunda transformação espiritual, longe do assédio midiático que marcou sua juventude nos anos 1990.Para quem não sabe, Mirella e Dinho viveram um relacionamento intenso que durou aproximadamente três anos. Ela esteve ao lado do artista em um período crucial: a transição do anonimato para o início da fama, quando a banda Mamonas Assassinas ainda se apresentava sob o nome de Utopia.Essa convivência íntima, inclusive, foi registrada por ela no livro “Pitchulinha, Minha Vida com Dinho – Até que os Mamonas nos Separem“. O título faz referência ao apelido carinhoso pelo qual ela era chamada pelo cantor, imortalizado nos versos da canção ‘Pelados em Santos’.No entanto, a exposição trazida pela obra não veio sem custos. Após o lançamento, Mirella Zacanini enfrentou duras críticas de parte do público e da mídia, o que a levou a um quadro severo de depressão. Em entrevistas posteriores, como a concedida ao portal Ego em 2016, ela revelou o impacto emocional desse período.“Fiquei muito mal. Vivi na tristeza por dez anos, larguei os estudos. Não queria sair“, relatou. A superação só veio por meio da fé. Mirella converteu-se ao cristianismo, processo que ela descreve como o ponto de virada para retomar sua alegria e propósito de vida.Hoje, Mirella Zacanini dedica-se integralmente à sua missão religiosa e social. Ela fundou uma academia cristã de artes voltada para crianças, onde utiliza a música e o teatro como ferramentas de evangelização e desenvolvimento infantil. Embora tenha reconstruído sua trajetória profissional e pessoal, ela nunca negou a importância do que viveu, mantendo a declaração de que Dinho foi o grande amor de sua vida. Um post compartilhado por Mirella Zacanini (@mirellazacaninioficial)Para completar o panorama das mulheres que marcaram a vida de Dinho, é impossível não mencionar Valéria Zoppello, que era a namorada do vocalista dos Mamonas Assassinas na época do acidente, em março de 1996.Modelo e futura fotógrafa, Valéria vivia um romance amplamente acompanhado pela mídia, sendo considerada por muitos como a ‘noiva’ do cantor, já que os dois planejavam construir uma vida juntos. No entanto, diferente de Mirella, que buscou refúgio na religiosidade, ela seguiu uma trajetória voltada para as artes visuais e o contato com a natureza.Ao longo das últimas três décadas, ela manteve uma relação de profundo respeito com a família de Dinho, optando por uma vida tranquila na Serra da Cantareira. Valéria Zoppello transformou uma paixão antiga em um negócio próspero: agora, ela é proprietária de um orquidário e recebe pedidos via internet, além de enviar as flores para todo o Brasil. Um post compartilhado por Valeria Zoppello (@valeriazoppello)A interrupção precoce do fenômeno musical ocorreu na noite de 2 de março de 1996. O jato Learjet 25D, que transportava a banda de volta a Guarulhos após um show em Brasília, colidiu contra a Serra da Cantareira sob forte neblina.O acidente vitimou não apenas Dinho, mas também os irmãos Samuel e Sérgio Reoli, Bento Hinoto e Júlio Rasec. A tragédia gerou uma comoção nacional sem precedentes, paralisando o país em um luto coletivo que misturava a incredulidade com a dor de perder o grupo que era o maior símbolo de alegria daquela década.Leia também: Aos 52 anos, ex-namorada de Dinho, dos Mamonas, faz sucesso em ‘profissão dos sonhos’Leia também: Corpos dos artistas da banda Mamonas Assassinas serão exumados e o motivo é revelado