Abandonar a televisão para focar na vida pessoal é uma escolha que sempre chama a atenção. Nos anos 2000, uma apresentadora de um dos principais programas infantis do Brasil tomou exatamente esse rumo. Ela trocou a rotina de estúdios e gravações por uma rotina em casa e, mais tarde, construiu uma nova carreira no mercado corporativo.A mudança de área faz muito sentido, principalmente para quem começou na publicidade e na TV ainda na infância. Depois de uma vida inteira de testes e incertezas típicas da carreira artística, a busca por estabilidade financeira e emocional falou mais alto. A vontade de viver o dia a dia de uma casa se tornou prioridade, superando o peso da fama.A dona dessa história é Thiara Palmieri. Hoje, aos 43 anos, ela carrega um forte valor sentimental na escolha que fez. Casada há 18 anos e mãe de um adolescente de 16, ela encontrou na família o seu maior projeto de vida. Em entrevista à Revista Quem, ela explicou que o desejo por uma vida caseira foi o motor da mudança. “Perto dos meus 23 anos, decidi que eu queria me casar, ser mãe, ter filhos e ficar em casa. Quis curtir um pouco a minha família“, revelou. O cansaço da dinâmica artística também ajudou na decisão: “Nós pedimos emprego a vida inteira. Já estava muito cansada de bater na porta e pedir oportunidades.”A trajetória começou aos 6 anos, em São Paulo. Nos anos 1990, ela gravou mais de 400 comerciais e dividiu testes com nomes como Mariana Ximenes, Fernanda Vasconcellos e Fernanda Paes Leme. O trabalho infantil misturou vida real e ficção: “Meu primeiro beijo foi fazendo uma publicidade para um chocolate”, contou à publicação.O nome incomum também rendeu histórias na escola. “Me chamavam de Arquinho, de Xuxinha, de Presilha…”, lembrou a ex-atriz, citando um episódio de ciúmes envolvendo o ator Caio Blat, que era referência entre as alunas na época. Após apresentar a TV Globinho (2004) e atuar em Malhação (2005), ela decidiu puxar o freio.O nascimento do filho, em 2009, marcou a sua primeira grande transição: “Fiquei reclusa por um tempo, cuidei do meu filho […] durante quatro anos integralmente. Foi uma fase excelente”, disse. Nesse tempo, a fé protestante e o estudo de escrita criativa a mantiveram ligada à arte de forma voluntária, ajudando nos roteiros de teatro da igreja.Ao voltar ao mercado, ela testou os bastidores da TV, trabalhando como roteirista e diretora em canais como E! e Record. Depois, decidiu encarar o regime CLT em uma empresa industrial. Incentivada pelo marido, que disse “O máximo que pode acontecer é você não gostar”, ela assumiu o desafio e ficou seis anos no cargo. Lá, exercia liderança, trabalhava a sete minutos de casa e conseguia almoçar com o filho todos os dias.Atualmente, ela usa sua bagagem nas artes cênicas e formações em marketing e neurocomunicação para atuar como mentora de comunicação. Seu trabalho é prático: ajuda desde empreendedores até equipes de empresas a falarem melhor, seja para conduzir um podcast, participar de uma reunião de negócios ou gravar vídeos para redes sociais.Sobre a cobrança das pessoas por um retorno à TV, a resposta é bem-humorada e direta. “É impressionante, porque eu falo que a Globo é um ex-marido que a gente tem (risos)”, brincou na entrevista à Quem. Quando a reconhecem nas ruas, geralmente são pessoas entre 25 e 35 anos. Hoje, ela deixa claro que está em paz com as escolhas que fez: “Amo ser atriz, mas não estou atriz neste momento. Ninguém deixa de ser artista. Porém, a vida naturalmente tomou caminhos diferentes e aproveitei as oportunidades.”CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DA CARAS BRASIL NAS REDES SOCIAIS: Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)