Uma mudança curiosa marcou a última lista de bilionários da revista americana Forbes, divulgada no dia 10 de março. Uma filantropa de 73 anos perdeu o posto de mulher mais rica do Brasil. O motivo, no entanto, não tem nenhuma relação com prejuízos ou crises financeiras. Pelo contrário: a sua fortuna pessoal cresceu 30% em 2026 e atingiu a marca impressionante de US$ 27,1 bilhões, cerca de R$ 140 bilhões.A alteração no ranking aconteceu de forma exclusiva por uma questão de identidade e cidadania. Nascida na Grécia em 1952, ela veio para o Brasil ainda criança com a família e acabou se naturalizando brasileira. Durante anos, a revista a classificou como uma representante do Brasil. Agora, a publicação passou a considerá-la formalmente como grega. Com essa reclassificação, ela assumiu com grande vantagem a liderança do ranking de pessoas mais ricas da Grécia.A dona desse patrimônio é Vicky Safra. Aos 73 anos, ela leva uma vida cercada de alto luxo, mas mantém um perfil discreto e envolto em mistério, morando na Suíça longe dos holofotes. Questionada pelo jornal Valor Econômico sobre a mudança, a Forbes explicou que, quando um bilionário tem dupla cidadania, a lista prioriza o país com o qual a pessoa mais se identifica na vida pessoal ou nas finanças. Segundo a revista, a mudança de nacionalidade ocorreu porque Vicky não mora no Brasil há vários anos e não concentra a maior parte de seus bens em território nacional.Vicky é viúva de Joseph Safra, o fundador do Banco Safra, que faleceu no ano de 2020. Os dois se casaram em 1969, quando ela tinha apenas 17 anos. Hoje, o patrimônio contabilizado pelo ranking da Forbes considera a fortuna dela e de seus quatro filhos (Jacob, David, Esther e Alberto) de forma conjunta.Junta, a família é dona de grandes instituições financeiras, como o Banco Safra no Brasil e o J. Safra Sarasin na Suíça. Além disso, eles controlam imóveis de alto padrão no exterior, incluindo o famoso prédio Gherkin, na cidade de Londres, e um edifício na Madison Avenue, em Nova York. A base de todo esse dinheiro começou a ser construída há muito tempo, em 1840, no Império Otomano, por meio do financiamento de caravanas de camelos e, mais tarde, com a importação de metais.Apesar do forte poder financeiro, Vicky faz poucas aparições públicas. Quando surge, quase sempre é por motivos ligados às obras sociais da Vicky and Joseph Safra Philanthropic Foundation, organização voltada à saúde e educação. O jornal Valor buscou a assessoria do banco no Brasil para comentar a mudança no ranking, mas não obteve resposta.Com a saída de Vicky da lista brasileira, o posto de mulher mais rica do país passou para as mãos de Ana Lucia de Mattos Barretto Villela. Aos 52 anos de idade, ela tem um patrimônio estimado em US$ 2,5 bilhões pela Forbes.Ana Lucia é bisneta do fundador do banco Itaú e neta do fundador da empresa Duratex. Atualmente, ela atua como vice-presidente do conselho de administração da Itaúsa e é uma das maiores acionistas individuais do grupo, detendo 6,8% do total de ações.Na vida pessoal, ela enfrentou a perda dos pais ainda na infância, aos 9 anos, e foi criada pelos tios. Formada em pedagogia e com mestrado em Psicologia da Educação, ela construiu sua carreira focada no impacto social. Em 2002, fundou o Instituto Alana e, anos depois, criou iniciativas ligadas ao audiovisual com foco em transformação social, como a produtora Maria Farinha Filmes. Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)