Aos 83 anos, cineasta que passou pela Globo e marcou o Cinema Novo deixou legado

 Aos 83 anos, morreu em 23 de fevereiro de 2022, o cineasta Geraldo Sarno, um dos nomes mais importantes do documentário brasileiro e integrante da geração do Cinema Novo. Nascido em 1938, na Bahia, ele dedicou décadas a retratar o Brasil profundo — sobretudo o Nordeste, a cultura popular e as desigualdades sociais.Além de sua trajetória autoral no cinema, Sarno também teve trabalhos exibidos pela TV Globo, o que ajudou a ampliar o alcance de sua produção documental para o grande público. Essa passagem pela emissora reforçou sua relevância não apenas no circuito cinematográfico, mas também na televisão aberta.Primeiramente, Sarno consolidou sua visão artística nos anos 1960, período em que estudou cinema em Cuba e absorveu forte influência do pensamento político latino-americano. De volta ao Brasil, aproximou-se de cineastas como Glauber Rocha, compartilhando o ideal de um cinema crítico, voltado para as tensões sociais do país.Enquanto parte do grupo investia em alegorias ficcionais, ele escolheu o documentário como instrumento central de análise da realidade brasileira.Entre seus trabalhos mais emblemáticos está Viramundo, documentário que aborda a migração de nordestinos para o Sudeste industrializado. A produção tornou-se referência por tratar de identidade e deslocamento com olhar humano e investigativo.Posteriormente, ele dirigiu Coronel Delmiro Gouveia, longa que mistura ficção e história ao narrar a trajetória do industrial nordestino que enfrentou interesses estrangeiros no início do século XX. O filme reforçou seu interesse por personagens que simbolizam resistência e desenvolvimento regional.Ao longo da carreira, Sarno também registrou manifestações culturais, religiosidade popular e movimentos sociais, sempre com abordagem investigativa e compromisso histórico.Com prêmios em festivais nacionais e internacionais, Geraldo Sarno consolidou seu nome como referência no cinema político brasileiro. Além disso, seu trabalho influenciou novas gerações de documentaristas que passaram a enxergar o audiovisual como ferramenta de reflexão social.Assim, ao morrer aos 83 anos, ele deixou não apenas uma filmografia extensa, mas também um acervo essencial para compreender as transformações do Brasil nas últimas décadas — tanto nas telas do cinema quanto na televisão, inclusive na Globo, onde parte de sua obra encontrou novo público.  Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)