Cineasta renomado, David Lynch (1946-2025) teve seu testamento revelado um ano após sua morte. Diretor de filmes como Veludo Azul (1986), O Homem Elefante (1980) e Cidade dos Sonhos (2002), ele deixou uma herança gorda para seus quatro filhos, além de ter listado presentes para alguns amigos.Leia também: Apresentador do SBT tinha fortuna de R$ 6,4 bilhões e mansão de até R$ 10 milhões onde vivia como anônimoO conteúdo do testamento do artista foi revelado em uma reportagem do site internacional TMZ. No documento, os quatros filhos são os principais beneficiários de seu patrimônio de US$ 15 milhões, aproximadamente R$ 65 milhões, na cotação atual.Além do dinheiro, eles receberão recursos para despesa com educação e saúde por meio de um fundo fiduciário. Os filhos ainda receberão as duas casas do artista em Los Angeles, avaliadas em US$ 3,8 milhões, além dos royalties decorrentes da série Twin Peaks e de outros projetos.Além da herança para os quatro filhos, ele deixou para Alfredo Ponce, amigo e colaborador constante em seus projetos, um montante de US$ 100 mil; para sua segunda esposa, Mary Fisk, também colaboradora de seus filmes, um montante de US$ 25 mil. Seus irmãos, John Lynch e Martha Lynch, receberam US$ 25 mil cada.Segundo o TMZ, o cineasta teria elaborado seu testamento em 1994, porém, atualizou o documento para uma versão final em maio de 2023. O artista morreu em 16 de janeiro de 2025, aos 78 anos, devido a complicações de um enfisema pulmonar. Ele enfrentava a doença desde o diagnóstico em 2020, causada por décadas de tabagismo desde a infância, o que o deixou dependente de oxigênio.Nascido em Montana, nos Estados Unidos, Lynch estudou pintura na Pennsylvania Academy of the Fine Arts, onde começou a experimentar com curtas-metragens que misturavam animação e live-action. Sua estreia em longa-metragem, o surrealista e perturbador Eraserhead (1977), levou anos para ser concluído, mas tornou-se um clássico cult instantâneo, estabelecendo sua estética característica: o uso magistral do design de som, atmosferas oníricas e a exploração do subconsciente humano.O sucesso comercial e crítico veio com O Homem Elefante (1980), que rendeu a Lynch indicações ao Oscar e provou sua capacidade de dirigir narrativas mais lineares sem perder sua sensibilidade humanista. Após o desafio de dirigir a superprodução Duna (1984), que ele considera seu maior fracasso criativo por falta de controle final, Lynch retornou ao cinema autoral com Veludo Azul (1986).A obra redefiniu o neo-noir ao expor a podridão oculta sob a superfície idílica dos subúrbios americanos, tema que ele expandiria de forma fenomenal na televisão com a série Twin Peaks (1990). Ao longo das décadas de 1990 e 2000, Lynch consolidou-se como o mestre do surrealismo moderno com filmes como Estrada Perdida (1997) e o aclamado Cidade dos Sonhos (2001), frequentemente citado como um dos melhores filmes do século XXI.Além do cinema, sua trajetória é pontuada pela dedicação à Meditação Transcendental e à criação artística em diversas frentes, como pintura, música e fotografia. Lynch não apenas criou filmes; ele fundou o termo “Lynchiano“, descrevendo um universo onde o mundano e o bizarro coexistem em uma tensão constante e hipnótica.A influência de David Lynch expandiu-se para além das telas, consolidando sua trajetória como a de um artista renascentista do século XXI. Através da Fundação David Lynch, ele promove a Meditação Transcendental como ferramenta de transformação social, refletindo sua busca pessoal por clareza e criatividade.Quanto à vida pessoal, Lynch teve sua primogênita, Jennifer (57), com sua primeira esposa, Peggy Lentz. Depois ele teve Austin (43), com a segunda esposa, Mary Fisk. Ele ainda é pai de Riley (34), com Mary Sweeney, e Lula (13), com Emily Stofle. Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)