A atriz Carla Marins vive um momento de renovação. Com uma trajetória marcada por personagens inesquecíveis na televisão desde os anos 1990, ela agora encara um novo desafio no horário nobre. Em entrevista exclusiva à CARAS Brasil, a artista falou abertamente sobre o retorno à TV Globo na novela Três Graças, os bastidores das gravações e como a chegada aos 57 anos transformou sua visão sobre o sucesso e a vida pessoal.O afastamento temporário das novelas não foi por acaso. A atriz focou no streaming, no teatro e na vida em família, mas o convite para a trama de Aguinaldo Silva falou mais alto.“Após um período dedicado ao meu amadurecimento pessoal (e fez parte dele a vivência da maternidade aos 40 anos) e trabalhando em produções do streaming e teatro, senti uma enorme vontade de atuar novamente em uma novela na Globo, onde estive grande parte da minha vida profissional”, revela Carla. “Adoro a dinâmica da televisão, o set de gravação, a contracena e a estrutura profissional da Globo. Está sendo um privilégio voltar em uma ‘absolute novela’ das 21h do mestre Aguinaldo Silva e direção luxuosa de Luiz Henrique Rios.”Leia mais: Aos 57 anos, atriz de Três Graças revela segredo do casamento de 20 anosApesar da pressão natural de um folhetim de grande alcance, a maturidade trouxe leveza ao processo: “Zero tensão! Só prazer de estar em uma excelente obra, atuando com colegas talentosos, com uma história atual e que conversa com a realidade de tantos brasileiros”, garante.Na trama, sua personagem, Xênica, começou discreta, mas logo se tornou peça-chave no drama central. Para Carla, essa evolução já era muito aguardada.“Eu estava ansiosa pelo posicionamento dela. No início, ela estava em cima do muro, e sabemos que quem opta por essa posição já escolheu o lado do mais forte. A virada veio com a prisão do filho e a decisão de não estar ao lado de quem lucra com a dor e a morte das pessoas” analisa.O coração dessa história, no entanto, é a relação visceral com José Maria, interpretado por Túlio Starling. A sintonia entre os atores exigiu um preparo intenso nos bastidores:“Xênica é mãe solo e vejo uma relação visceral com o filho. Eu e Túlio Starling, juntamente com as preparadoras, construímos uma relação íntima, de forte conexão e amor genuíno entre mãe e filho. Improvisamos cenas e situações que não estavam escritas para descobrir e fundamentar essa ligação. Nos ligamos e conversamos sobre as cenas e intenções dos personagens, é um privilégio essa parceria com um ator do calibre e entrega de Túlio Starling.”Um dos pontos altos da personagem é o enfrentamento de figuras de poder, especialmente nas cenas carregadas de manipulação divididas com Murilo Benício. Carla traça um paralelo direto com a vida real ao analisar a dinâmica tóxica de seu opositor na tela.“Desde o início vi o Ferreti como um Trump. Insuportável ter que fazer o jogo, abaixar a cabeça para as grosserias e a falta de ética e empatia dele. O desprezo por todos e a falta de caráter ficaram evidentes quando ele manda prender o filho dela. Como muitos, ela só entendeu quando sofreu na pele a injustiça.”Longe das câmeras, a vida pessoal também dita o tom do atual momento da atriz. Em um meio audiovisual que, por vezes, ainda supervaloriza a juventude, ela ocupa o espaço de mulher madura e protagonista da própria história com orgulho.“É um privilégio ‘estar bem na própria pele’ e vem a partir de um dever de casa que precisamos fazer pra avançar. Realmente aceitar o tempo e ter um compromisso ferrenho com seu desenvolvimento pessoal, buscando a renovação sempre” reflete a artista.A maternidade e a vivência fora dos estúdios moldaram essa visão. “A maturidade transformou e redimensionou meu olhar para essas questões. Menos cobrança e mais confiança no processo. Sigo em paz com minha trajetória, celebro minhas escolhas e continuo muito animada e repleta de amor pelo meu ofício. Sou uma mulher experiente hoje, com uma maior compreensão crítica sobre o mundo e sobre as pessoas, e sim, isso reverbera em meu trabalho. Percebo mais camadas e nuances, consigo ter um entendimento mais profundo sobre as motivações da personagem e da trama.”De olho nos próximos passos da carreira, a artista já sabe exatamente o tipo de narrativa que deseja explorar na tela e na vida.“Gostaria de viver mulheres que ousam romper com a dinâmica patriarcal e que vivam com liberdade as suas escolhas. Mulheres que se veem como sujeito, que não centralizem suas vidas em torno de homens, mulheres que questionem o mundo misógino em que vivemos” projeta.O desejo de transformação não se limita à ficção. Seu maior plano para o futuro é usar sua voz como ferramenta de impacto real: “Quero compartilhar minha experiência como mulher neste mundo e possivelmente inspirar positivamente outras mulheres rumo à emancipação afetiva, financeira e espiritual.”CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DA CARAS BRASIL NAS REDES SOCIAIS: Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)