Chefão do jornalismo da Globo se demite e expõe caos na emissora; VEJA

O jornalista Fabrício Marta tornou públicas críticas à TV Globo após pedir demissão do cargo de chefia de produção, no dia 12 de março, nas redes sociais. A saída ocorreu pouco tempo depois de uma promoção recebida em janeiro e foi comunicada enquanto o profissional estava internado durante o período de Carnaval. As informações são do colunista Lucas Pasin do Metrópoles.O ex-funcionário afirmou que a decisão não teve relação com problemas de saúde, mas com discordâncias internas e insatisfação com rumos adotados pela empresa. O cargo ocupado conectava a redação do Rio de Janeiro a outras unidades da emissora.No Instagram, o jornalista apresentou a própria versão sobre a saída e fez críticas a decisões internas. “Foram dois infartos: um sem cura e outro tratável, ao sabor da resiliência. (…) O pedido foi feito aos meus chefes (por WhatsApp) ainda no hospital e não está atrelado aos infartos, mas a conjunturas internas que não ornavam mais com quem eu sou. Minha missão, na Globo, foi encerrada por escolhas mal dimensionadas”.O relato também menciona insatisfação com rotinas de trabalho e comunicação interna. “Menos sustos por falta de comunicação; menos mal humor de gente amarga; menos de dezenas de ligações non sense; menos energia de gente incompetente; menos ‘bom dia’, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’ cuspidos no lixo; zero fogueiras de egos e vaidades. Menos muitos plantões antecipados. Tudo isso menos tudo isso é paz”.O jornalista afirmou que foi responsável por comunicar cortes de horas extras a integrantes da equipe, medida atribuída à antiga direção de jornalismo. O relato aponta dificuldades na execução da decisão e ausência de comunicação estruturada.“Esse mal ajambrado foi lavrado e validado pela antiga direção regional de Jornalismo, mas coube a mim (o então secretário de luxo), anunciar a nova condição salarial da garotada. (…) Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem!”, declarou.O ex-chefe também criticou mudanças relacionadas ao acesso ao estúdio do Jornal Nacional, citando decisão associada ao apresentador William Bonner. “Bonner proclamou, dias antes de deixar o JN, que o cenário do telejornal era um “santuário” e exigiu providências quanto o acesso de visitantes. No dia seguinte, brotou essa placa medonha e antipática na redação. A marca de um cara que tinha tudo pra ser Deus resumida a um recado de síndico decadente”.Fabrício Marta também comentou mudanças em programas de recrutamento da emissora e questionou impactos na diversidade de perfis profissionais. “O Estagiar cansou de pescar estagiários na PUC, porque eram tão maravilhosos quanto os cotistas da Uerj, UFRJ, UFF, UFRRJ e por aí vai. Os tempos mudam, mas não há nota em pingo d’água. Sabe aquela tal diversidade? Pois é!”.Após formalizar a saída, o jornalista relatou visita à Igreja de São José, onde realizou homenagem a Roberto Marinho, destacando reconhecimento pela contribuição do empresário em sua trajetória profissional.Um post compartilhado por Fabricio Marta (@martafabricio)