Comer peixe ou carne na Sexta-feira Santa; VEJA tradição religiosa

Tradição religiosa marca a data com reflexão e explica preferência pelo consumo de peixe

A Sexta-feira Santa é celebrada nesta sexta-feira (03/04), em todo o Brasil, como parte dos ritos finais da Semana Santa, com práticas de jejum e abstinência entre fiéis católicos. A data relembra a crucificação e morte de Jesus Cristo e se destaca como o único dia do ano sem celebração de missa na Igreja Católica. As informações são da CNN Brasil.A tradição segue orientações do Código de Direito Canônico e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que definem o jejum como uma “forma de penitência que consiste na privação de alimentos”, enquanto a abstinência representa a “escolha de uma alimentação simples e pobre”. Durante esse período, a prática religiosa prioriza silêncio, oração e reflexão.De acordo com o padre José Ulisses Leva, a restrição ao consumo de carne possui significado simbólico dentro da fé cristã. Segundo o religioso, “A Solenidade da Páscoa, de fato, é fundamental para os cristãos. Na Igreja Católica se restringe a não comer carne na Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-Feira Santa. A carne recorda o corpo de Jesus Cristo”.O consumo de peixe se tornou comum nesse contexto por ser considerado um alimento mais simples, associado a menor sensação de saciedade. A escolha está ligada ao objetivo de manter o caráter penitencial da data.O padre Clésio dos Santos reforçou que o significado da prática vai além da alimentação. Segundo o religioso, “Historicamente, a carne era considerada um alimento mais festivo e associado à celebração. Ao abrir mão dela, o fiel faz um gesto simbólico de simplicidade e penitência, em memória do sofrimento de Jesus Cristo. Então, o verdadeiro sentido não é simplesmente não comer carne, mas lembrar do porquê da ação”.A Sexta-feira Santa integra a Semana Santa, período que sucede a Quaresma, vivida ao longo de cerca de 40 dias com práticas de oração, jejum e caridade. A tradição cristã relembra o período em que Jesus permaneceu no deserto, servindo de referência para a vivência espiritual dos fiéis.As normas da Igreja indicam que o jejum é recomendado para pessoas entre 18 e 59 anos, enquanto a abstinência de carne se aplica a partir dos 14 anos, com exceções para situações específicas.Segundo o cardeal Orani João Tempesta, a Sexta-feira Santa “é o único dia em que a Igreja não celebra missa, mas celebra-se, sobriamente, uma ação litúrgica fazendo memória da entrega de Jesus por nós quando recebemos a comunhão nas espécies consagradas no dia anterior. Temos também a liturgia das horas”.O cardeal também descreveu a condução da celebração ao afirmar que “A celebração inicia-se em silêncio, pois a Igreja nesse momento está em profunda oração, pela entrega do Senhor por nós. Não tem procissão de entrada, mas faz-se uma entrada curta. Aquele que preside a celebração, se prostra diante do altar e os demais ministros se ajoelham. Não tem os ritos iniciais como de costume, e depois de um instante de silêncio, o presidente da celebração profere a oração do dia”.

Carregar Mais Notícias