Imagens aéreas de ruas tomadas de vermelho, grades derrubadas e uma orla inteira coberta de gente. Na última semana antes do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, fez uma maratona de atos pelo Nordeste que terminou com as maiores multidões da campanha até agora. Os destaques foram Recife, Fortaleza e, principalmente, Salvador.
Recife: do Cais de Santa Rita ao Marco Zero
A sequência começou na manhã de sexta-feira, 25 de setembro, no Centro do Recife. A concentração foi no Cais de Santa Rita, e a caminhada seguiu até o Marco Zero. Lula desfilou em carro aberto ao lado de João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, e dos candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT).

O momento mais marcante foi quando Lula ergueu um cartaz escrito à mão com a frase “fim das bets”, preparado com a ajuda de João Campos. No palco do Marco Zero, ele foi direto: “Eu vou acabar com as bets”. A campanha não divulgou uma estimativa oficial de público, e o tamanho do ato virou alvo de disputa nas redes com apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), que fez um evento no mesmo local em 16 de setembro.

Fortaleza: 100 mil pessoas no Centro, segundo a campanha
Na terça-feira, 29 de setembro, foi a vez da capital cearense. Lula caminhou pelas ruas do Centro de Fortaleza ao lado do governador Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição, e de aliados como Camilo Santana, Cid Gomes, Luizianne Lins e o prefeito Evandro Leitão. O percurso terminou na Praça do Ferreira, que ficou completamente tomada.
Segundo a campanha petista, cerca de 100 mil pessoas participaram da caminhada, o que fez dela, naquele momento, o maior ato de Lula em 2026.

Em Fortaleza, Lula voltou a erguer uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, gesto que já havia feito em Belém no dia anterior. Foi uma resposta ao boato de que a santa perderia o título de padroeira do Brasil. “Enquanto eu for presidente da República, Nossa Senhora Aparecida será a padroeira do Brasil”, afirmou. Ele também repetiu a promessa de acabar com as bets e defendeu o fim da escala 6×1, com dois dias de folga garantidos por semana.

Salvador: 200 mil pessoas e o maior ato da campanha
No mesmo dia, Lula desembarcou em Salvador para fechar a agenda no Nordeste, e o resultado superou tudo o que a campanha tinha visto até então. A caminhada entre Ondina e o Farol da Barra reuniu, segundo o PT, cerca de 200 mil pessoas, o dobro do registrado horas antes em Fortaleza. Com isso, virou o maior ato de campanha de Lula em 2026.

As imagens aéreas mostram o circuito da orla tomado de ponta a ponta, do fim da tarde até a noite. Em um dos trechos, apoiadores chegaram a derrubar as grades de proteção montadas ao longo do percurso para chegar mais perto do presidente.
Lula esteve acompanhado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, do senador Jaques Wagner, de Rui Costa, candidato ao Senado, e da primeira-dama Janja. Durante o trajeto, ele também ergueu a imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado de Jerônimo.

O ato estava previsto inicialmente para Feira de Santana, mas a coordenação nacional da campanha decidiu de última hora transferi-lo para Salvador, apostando que grandes eventos nas capitais teriam mais impacto nacional. A aposta deu certo.

Próxima parada: Belo Horizonte
Depois do Nordeste, a campanha se volta para Minas Gerais, estado considerado decisivo na disputa. Lula faz ato em Juiz de Fora nesta quarta-feira, 30 de setembro, e volta a Belo Horizonte na sexta-feira, 2 de outubro, último dia permitido pela Lei Eleitoral para pedir votos. A concentração está marcada para as 16h na Praça da Liberdade. De lá, o presidente segue em carro aberto pela Avenida Brasil até a Praça Tiradentes.
Lula estará ao lado de Patrus Ananias (PT), candidato ao governo de Minas, e das candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL). Será a terceira passagem do petista pela capital mineira desde o início da campanha, em 16 de agosto. O primeiro turno das eleições acontece no domingo, 4 de outubro.
As estimativas de público citadas são da campanha do PT. Não houve contagem independente. Fotos: Ricardo Stuckert/PT (CC BY-SA 4.0).