Diretor da Pixar revela motivo de ter cortado trama LGBTQ da animação “Elio”; VEJA

O diretor criativo da Pixar, Pete Docter, afirmou neste domingo (08/03) que o estúdio decidiu retirar uma trama LGBTQ da animação “Elio” durante o processo de reformulação do filme, após avaliações negativas em sessões de teste com o público. A declaração ocorreu em entrevista ao The Wall Street Journal e incluiu a justificativa de que o estúdio buscou evitar temas que muitas crianças ainda não discutiram com os pais. As informações são do O Globo.Pete Docter explicou que mudanças profundas ocorreram no projeto depois da recepção fraca nas primeiras exibições experimentais. Durante a entrevista, o executivo defendeu a decisão tomada pela equipe criativa e declarou: “Estamos fazendo um filme, não centenas de milhões de dólares em terapia”.A história de “Elio” apresenta um garoto solitário que enfrenta rejeição entre outras crianças e passa a buscar amizade no espaço, situação que leva o personagem a uma jornada intergaláctica. A proposta inicial despertou interesse dentro do estúdio, porém sessões de teste indicaram baixa intenção do público em pagar ingresso para assistir ao filme nos cinemas. A avaliação negativa levou Pete Docter a promover uma reformulação ampla na produção mesmo com grande parte da animação já finalizada.A mudança na direção integrou esse processo de revisão. O diretor original Adrian Molina deixou o projeto, que passou para as cineastas Madeline Sharafian e Domee Shi. A nova equipe realizou alterações relevantes na narrativa da animação.Reportagem citada pelo jornal apontou que versões anteriores do roteiro traziam indícios de que o personagem principal seria gay. Entre os exemplos estavam uma bicicleta rosa e uma sequência em que o garoto imaginava um futuro ao lado de outro menino por quem nutria interesse. A retirada desses elementos provocou críticas internas dentro da Pixar. Parte de antigos integrantes da equipe avaliou que a exclusão dessas referências enfraqueceu o tema central da história, que tratava de identidade e pertencimento.A reportagem também mencionou outra decisão recente da Disney, que removeu um personagem transgênero da série animada Ganhar ou perder. O conjunto dessas escolhas intensificou o debate entre profissionais ligados ao estúdio.A animação “Elio” chegou aos cinemas em junho de 2025 e arrecadou cerca de 150 milhões de dólares no mercado mundial. O resultado financeiro ficou abaixo do esperado para uma produção do estúdio, já que o valor de produção alcançou aproximadamente a mesma quantia, sem incluir gastos globais de marketing.Pete Docter comentou a própria função dentro da empresa ao refletir sobre decisões criativas relacionadas ao público. O diretor afirmou: “Com o passar do tempo, percebi que meu trabalho é garantir que os filmes agradem a todos”.