A Polícia Federal informou que o grupo investigado na Operação Narcofluxo movimentou cerca de R$ 1,63 bilhão em menos de dois anos, utilizando o setor musical e o entretenimento digital como base para lavagem de dinheiro. A ação foi deflagrada nesta quarta-feira (15/04) em diversos estados do país. As informações são do g1.Entre os alvos da operação estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do influenciador Raphael Sousa Oliveira. Segundo a investigação, o grupo utilizava a visibilidade desses nomes para dar aparência de legalidade a movimentações financeiras de grande volume.De acordo com a Polícia Federal, a estrutura é considerada uma das mais complexas já identificadas no país nesse tipo de crime, com uso estratégico do mercado artístico para encobrir a origem dos recursos.A apuração indica que atividades como tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais eram associadas à imagem de artistas e influenciadores, ampliando o alcance das operações e facilitando a circulação do dinheiro.Outro ponto destacado é que o alto faturamento típico do setor musical ajudava a justificar valores elevados, reduzindo suspeitas em instituições financeiras.A investigação aponta que o grupo utilizava diferentes mecanismos para dificultar o rastreamento dos valores. Entre eles está a fragmentação de receitas por meio da venda de ingressos e produtos digitais, permitindo a entrada de quantias sem identificação clara de origem.Também foram identificadas práticas como uso de criptoativos, circulação de dinheiro em espécie e transferências sucessivas entre contas.Segundo os investigadores, havia ainda uma rede de intermediários utilizada para esconder os beneficiários finais das transações.A operação mobiliza cerca de 200 agentes e cumpre mandados judiciais em nove estados e no Distrito Federal, incluindo ordens de prisão temporária, busca e apreensão e bloqueio de bens.MC Ryan SP foi detido em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, enquanto MC Poze do Rodo foi localizado em sua residência no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.A defesa de Poze declarou que “desconhece os autos ou teor do mandado de prisão” e informou que irá se manifestar após acesso ao processo. Já a defesa de MC Ryan afirmou que as “transações financeiras” do artista possuem origem lícita.