Erika Hilton reage e processa Ratinho após fala de teor transfóbico

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) reagiu às declarações do apresentador Ratinho após comentários considerados transfóbicos exibidos durante o programa do comunicador no SBT. Na noite de quarta-feira, 11 de março, o apresentador criticou a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.Logo depois, a deputada respondeu nas redes sociais. “A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa”, escreveu em publicação no X. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Erika conquistou a presidência do colegiado. A eleição ocorreu em meio a articulações de partidos do Centrão e de setores da direita que tentaram impedir sua escolha.Durante o processo interno na Câmara, aliados desses grupos políticos logo atuaram nos bastidores para barrar a deputada. Ainda assim, Erika Hilton venceu a disputa e assumiu o comando da comissão. Após o resultado, ela então celebrou o momento histórico e falou sobre o significado da conquista.“Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação. Hoje fiz história pela minha comunidade, que ainda enfrenta os piores índices em praticamente todos os aspectos da vida social. E é isso que vai ficar: não o ódio, não o ranço, não a raiva dos que tentam nos apagar”, declarou em síntese.No dia seguinte, quinta-feira, 12 de março, Erika Hilton protocolou um pedido de investigação no Ministério Público de São Paulo. O documento seguiu para o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP.No pedido, a deputada solicitou abertura de inquérito policial contra Ratinho por causa das falas exibidas no programa. O documento também mencionou a possibilidade de prisão do apresentador caso a Justiça reconheça o crime. A pena pode chegar a seis anos.Durante a atração exibida pelo SBT, Ratinho comentou a eleição da deputada para a Comissão da Mulher e criticou o resultado. “Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher.”, falou Ratinho.“Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente” Em seguida, ele continuou com o comentário. “Mulher para ser mulher precisa ter útero, tem de menstruar, tem de ficar chata três ou quatro dias. Vocês pensam que a dor do parto é fácil?” O apresentador também questionou o gênero da parlamentar.“Eu sou contra, devia deixar uma mulher ser presidente da comissão. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”, finalizou por fim.Durante o mesmo comentário, Ratinho mencionou ainda a cantora Pabllo Vittar. “Ela tem saco gente, mulher não tem saco”, disse. Diferentemente de Erika Hilton, Pabllo Vittar atua como drag queen e não se identifica como mulher trans.