O avanço do preço do petróleo no mercado internacional passou a impactar o valor dos combustíveis no Brasil na sexta-feira (13/03), com reflexos já percebidos nos postos de abastecimento em diversas regiões do país. O barril superou a marca de US$ 100 e levantamentos apontam aumento recente da gasolina e do diesel, enquanto especialistas avaliam possibilidade de novos reajustes. As informações são do O Globo.Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram alteração no preço médio da gasolina no país entre o fim de fevereiro e o início de março. O valor médio nacional passou de R$ 6,28 para R$ 6,30 por litro, aumento de R$ 0,02, equivalente a 0,33%. No mesmo intervalo, o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08, acréscimo de R$ 0,05.A cotação do petróleo no cenário global influencia diretamente derivados como gasolina e diesel. Países com forte dependência de importações tendem a sentir esse impacto de forma imediata nos preços ao consumidor.No Brasil, a Petrobras responde pela maior parte da produção de petróleo e também controla grande parcela das refinarias. A política de preços da estatal busca evitar repasses instantâneos da volatilidade internacional. Mesmo com esse mecanismo, refinarias privadas e combustíveis importados seguem valores ligados ao mercado externo, fator que contribui para oscilações no país.Levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log analisou abastecimentos realizados em cerca de 21 mil postos credenciados. O estudo identificou que Rondônia apresentou o valor médio mais elevado para gasolina, com litro a R$ 7,90. Na outra ponta, a Paraíba apresentou média de R$ 6,26.A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis aponta diferença relevante entre valores praticados no Brasil e os preços internacionais. Em áreas abastecidas por refinarias da Petrobras, a gasolina apresenta defasagem que pode alcançar 48%.Na refinaria de Mataripe, localizada na Bahia e controlada pela empresa privada Acelen, a diferença fica em torno de 11%. Especialistas indicam que esse cenário pode pressionar novos reajustes nas refinarias.O diesel apresenta discrepância ainda maior. A diferença entre valores internos e externos pode atingir cerca de 74%, segundo estimativas da entidade.Medidas anunciadas pelo governo federal nesta semana buscam conter a alta dos combustíveis, mas o foco das ações recai sobre o diesel. Entre as iniciativas estão subsídios a importadores e produtores, isenção de tributos federais e criação de imposto temporário sobre exportação de petróleo bruto e diesel.O conjunto de medidas inclui também previsão de multas para empresas que não repassarem os benefícios ao preço final nos postos.Especialistas não identificam risco de falta de gasolina no Brasil no momento. Relatos vindos de agricultores do Rio Grande do Sul apontam dificuldade para compra de diesel em algumas localidades.A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis conduz análise sobre essa situação para verificar causas e possíveis irregularidades na distribuição do combustível.