Mel Lisboa relembra relação abusiva e diagnóstico impactante

Aos 44 anos, Mel Lisboa revisitou um dos capítulos mais delicados da própria história. Em entrevista ao podcast Você não sabe o que eu sofri, comandado por Tati Bernardi, a atriz relatou como um relacionamento abusivo na adolescência deixou marcas profundas, tanto emocionais quanto físicas. O envolvimento, que começou quando ela tinha apenas 15 anos, trouxe consequências que só compreendeu por completo muito tempo depois.Logo no início da conversa, Mel citou um conselho que ouviu da mãe e que ganhou outro peso com o passar dos anos. “Minha mãe sempre falava uma coisa para mim: ‘Minha filha, você pode fazer tudo na vida, a única coisa que falo para você, apenas preserve a sua liberdade, a sua vida’. Uma coisa muito conectada à outra. Depois, fui entender os riscos do feminicídio por conta da violência, da proximidade de armas e dele ter servido…”, declarou. A fala revela, portanto, como o alerta materno dialogava diretamente com o cenário que ela vivia sem perceber a gravidade total.Além do controle e das traições, a relação trouxe um diagnóstico que mudou o rumo da história. Durante uma consulta ginecológica de rotina, Mel recebeu a notícia de que estava com HPV em estágio avançado. Naquele momento, de acordo com ela, a informação soou confusa e assustadora.“Um dia, fui numa consulta ginecológica e descobri que estava com HPV muito avançado. Sabe quando você não entende nada? E aí, a médica me perguntou e eu respondi que tinha um namorado. E ela falou: ‘Acho que você tem que conversar com ele. Você sai e transa com outras pessoas?’. E eu disse não. Ela [respondeu]: ‘Então você vai ter que conversar com ele, porque foi ele que te passou. E ele vai ter que se tratar também”, continuou.A partir dali, a jovem precisou lidar não apenas com a infecção sexualmente transmissível, mas também com a reação do então namorado, mais velho, que adotou postura defensiva diante da necessidade de tratamento conjunto.No dia seguinte à conversa sobre o HPV, o rapaz foi a um show de Mel sem avisar, atitude que repetia com frequência. Ao descobrir, ela decidiu encerrar o namoro. Na época, acreditou que aquele episódio havia sido o estopim. No entanto, anos depois, interpretou a situação sob outra perspectiva.“Um tempo depois, caiu a minha ficha. Obviamente não foi o show. Foi ter visto a minha vida em risco. Poderia ter sido muito pior. Felizmente, foi uma IST que consegui curar muito fácil. Mas, assim, ela pode causar câncer. E, assim, eu tinha 15 anos. E muito tempo depois eu entendi”, contou.Assim, o diagnóstico funcionou como alerta definitivo. A percepção do risco à própria saúde trouxe clareza sobre a urgência de romper o ciclo de violência e manipulação.Cerca de um ano após o término, Mel recebeu uma notícia inesperada. O ex-namorado morreu de forma violenta. Segundo ela, ele se envolvia em brigas frequentes e mantinha contato com ambientes perigosos.“Ele era um cara violento, que se metia em brigas. Até hoje não sei o que aconteceu, também não quis ir atrás disso. Ele se mentia em brigas de gangues no Rio. Sabe, assim, de moleques violentos em festas E tinha também o lance de drogas que ele consumia”.A atriz relembrou ainda o momento em que soube da morte. “Não sei exatamente qual foi o rolê, sei que um dia, já tinha mais ou menos um ano que tínhamos terminado, estava tudo certo na minha vida. Acordei com a minha mãe colocando o telefone na minha orelha, no meio da madrugada. E, quando atendi, era uma pessoa falando: ‘Mel, ele morreu. Levou três tiros’”, finalizou.Ao revisitar o passado, Mel Lisboa amplia o debate sobre violência no namoro, saúde feminina e autonomia. Ao mesmo tempo, transforma uma experiência dolorosa em relato que pode alertar outras mulheres sobre sinais de abuso e riscos silenciosos que muitas vezes passam despercebidos na juventude.