Nova variante da mpox é detectada em dois países e preocupa OMS; saiba os sintomas mais comuns

Nesta sexta-feira (20/02), a Organização Mundial da Saúde informou a identificação de uma nova variante recombinante do vírus da mpox em dois casos detectados no Reino Unido e na Índia. Segundo o organismo internacional, a presença da cepa indica que a circulação pode ser mais extensa do que os dados atuais mostram, embora a avaliação global de risco permaneça a mesma. As informações são do g1.Os dois pacientes apresentaram manifestações semelhantes às já descritas em outros quadros da doença e não tiveram complicações graves. O monitoramento de contatos não identificou novos casos ligados diretamente a esses registros.No Brasil, o estado de São Paulo soma 44 casos confirmados de mpox em 2026, conforme o Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde. Em 2025, foram 422 confirmações no estado. Desde 2022, quando ocorreu a confirmação inicial da doença em território paulista, o total acumulado chega a 6.048 casos.A recombinação viral ocorre quando dois vírus relacionados infectam a mesma pessoa e trocam material genético, originando uma nova variante. No caso descrito pela OMS, a cepa identificada combina características dos clados Ib e IIb da mpox.A análise genética mostrou que os dois pacientes foram infectados pela mesma variante recombinante, embora tenham apresentado sintomas com semanas de diferença. Esse intervalo levanta a hipótese de que existam infecções ainda não detectadas.O primeiro caso foi identificado a partir de amostra coletada de um viajante que retornou de um país da região Ásia-Pacífico em outubro de 2025. Exames iniciais apontaram clado Ib, mas o sequenciamento completo do genoma revelou combinação de trechos associados aos clados Ib e IIb.Para confirmar o resultado, cientistas repetiram a análise em diferentes amostras e também em vírus isolado em laboratório. As verificações confirmaram tratar-se de uma nova variante com capacidade de replicação. Autoridades britânicas acompanharam contatos próximos, sem identificação de novos doentes.O segundo registro foi notificado em janeiro de 2026, mas os sintomas começaram em setembro de 2025, enquanto o paciente trabalhava em um país da Península Arábica. Após retorno à Índia, exames confirmaram mpox. Inicialmente classificada como clado II, a amostra foi reavaliada com atualização de bancos genômicos e identificada como pertencente à mesma variante observada no Reino Unido.O paciente precisou de internação, não apresentou agravamento e se recuperou. Não foram detectadas infecções secundárias. A análise apontou mais de 99,9 por cento de similaridade entre as amostras dos dois países, indicando origem evolutiva comum.Como os sintomas na Índia antecederam o caso britânico em mais de dois meses, a OMS considera duas hipóteses principais. A priemira é a de que a origem exata da cepa ainda não está definida e a segunda é de que a transmissão já pode ter envolvido pelo menos quatro países em três regiões distintas.A mpox é causada por vírus do gênero Orthopoxvirus, o mesmo grupo da varíola humana. A transmissão ocorre principalmente por contato físico direto com pessoa infectada, inclusive em relações sexuais, além de contato com objetos contaminados, partículas respiratórias em determinadas circunstâncias e de mãe para filho.Os sintomas mais comuns incluem febre, aumento dos linfonodos e lesões na pele ou mucosas. As manifestações cutâneas podem se assemelhar às de outras doenças, como catapora, herpes ou sífilis, sobretudo quando surgem nas regiões genital ou anal. Casos recentes também indicam possibilidade de poucos sinais clínicos ou até ausência de sintomas, aspecto ainda em estudo quanto ao impacto na disseminação do vírus.