“Sem prazer nem respeito”: Marcos Oliveira expõe rotina no Retiro dos Artistas
O ator Marcos Oliveira, conhecido nacionalmente por dar vida ao personagem Beiçola na série A Grande Família, fez um desabafo contundente sobre sua experiência vivendo no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro. Aos 63 anos, ele revelou desafios relacionados à convivência, à falta de afeto e à invisibilidade das necessidades emocionais e sexuais na terceira idade.
O ator Marcos Oliveira, conhecido nacionalmente por dar vida ao personagem Beiçola na série A Grande Família, fez um desabafo contundente sobre sua experiência vivendo no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro. Aos 63 anos, ele revelou desafios relacionados à convivência, à falta de afeto e à invisibilidade das necessidades emocionais e sexuais na terceira idade.Morando no local desde abril de 2025, em uma residência cedida pela atriz Marieta Severo, Marcos afirma que, apesar da estrutura oferecida, a vivência cotidiana apresenta obstáculos que vão além do conforto físico.Em entrevista, o ator destacou um tema ainda cercado de tabu: a sexualidade na velhice. Segundo ele, existe uma negação social sobre o fato de que o desejo continua presente com o passar dos anos.“A sexualidade existe. À noite, no inconsciente, você tem desejos. Mas isso não se fala, porque parece que o idoso não pode mais sentir prazer.”Marcos explicou que suas necessidades vão além do ato sexual. Para ele, o mais importante é a troca de carinho, afeto e proximidade — algo que, segundo relata, não encontra no ambiente em que vive.Outro ponto crítico levantado pelo ator é a convivência com outros moradores. Ele descreve o ambiente como barulhento e, em alguns momentos, desrespeitoso.Segundo Marcos, não há uma regra clara de convivência, o que gera situações desconfortáveis no dia a dia. Durante as refeições, por exemplo, ele relata excesso de gritos e conversas tumultuadas, o que o faz preferir o silêncio.O artista também criticou comportamentos que considera inadequados, apontando falta de educação e de respeito entre os residentes mais idosos.Um dos maiores incômodos para Marcos Oliveira é o foco constante no passado por parte dos colegas. Ele afirma não se identificar com essa postura e reforça seu desejo de continuar ativo profissionalmente.“Eles falam muito do passado, mas eu não estou no passado. Quero trabalhar, produzir, ganhar meu dinheiro.”O ator destacou que ainda se sente plenamente capaz de atuar, pensar e criar, e que não pretende aceitar uma vida limitada apenas à lembrança de conquistas antigas.O relato de Marcos Oliveira levanta reflexões importantes sobre o envelhecimento, especialmente no meio artístico. Sua fala evidencia não apenas questões estruturais, mas também emocionais e sociais enfrentadas por idosos — como a carência de afeto, a perda de propósito e a falta de espaços para continuar produzindo e vivendo plenamente.Mais do que uma crítica ao local, o desabafo do ator escancara um debate necessário: como a sociedade enxerga — e trata — o envelhecimento.
