A reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, realizada na quarta-feira, 08 de abril, terminou marcada por confrontos verbais e clima de forte tensão. O embate envolveu parlamentares da oposição e a presidente do colegiado, Erika Hilton, após tentativa de aprovar uma moção contra sua eleição ao comando do grupo.Logo no início, deputadas críticas à gestão se revezaram em discursos, questionando publicações feitas pela parlamentar nas redes sociais. Segundo elas, o conteúdo teria gerado desconforto entre mulheres. As falas mencionaram o uso do termo “impeCIS”, interpretado por opositoras como referência indireta a mulheres cisgênero.Diante desse cenário, o debate ganhou tom mais duro. A deputada Socorro Neri afirmou que se sentiu intimidada durante a discussão e chegou a citar a Lei Maria da Penha. “A senhora grita e parece que vai partir para uma agressão. Se vier para cima de mim, para me enfrentar, vamos procurar a Lei Maria da Penha porque a senhora tem a força de um homem”, declarou.Além disso, Neri acusou a presidente da comissão de incentivar militantes presentes na reunião contra parlamentares divergentes. “A sua fala agressiva está incitando a militância contra nós deputadas que não concordamos com seu posicionamento. Enquanto mulher a senhora não me representa”, afirmou.🚨URGENTE – Deputada Socorro Neri diz para Érika Hilton que se for enfrentá-la, ela vai acionar a Lei Maria da Penha porque a parlamentar tem a força de um homem“Se a senhora vier me enfrentar aqui, eu chamarei a Lei Maria da Penha, porque a senhora tem a força de um homem”Em resposta, Erika Hilton deixou a presidência momentaneamente e ocupou um assento entre os demais integrantes para rebater as críticas. Ela argumentou que participa ativamente das reuniões e questionou a presença recente de algumas opositoras no colegiado. Também negou que suas postagens tenham como alvo mulheres ou deputadas.“(As mensagens são) para essas pessoas que vão para as redes sociais e me ameaçam de morte, que dizem que vão arrancar a minha cabeça, que dizem que eu não mereço estar no Parlamento. Foi para todo esse esgoto, esgoto da sociedade”, disse Hilton.Enquanto o debate avançava, a situação saiu do controle. Um visitante presente no plenário dirigiu ofensas à deputada Clarissa Tércio, o que provocou reação imediata. O deputado Delegado Éder Mauro interveio, aproximou-se do homem e exigiu sua retirada, derrubando o celular que ele segurava. Inicialmente, Fernanda Melchionna indicou não ter autoridade para impedir a presença de cidadãos no local. No entanto, diante do agravamento, acionou o Departamento de Polícia Legislativa, que retirou o visitante.Por fim, a deputada Chris Tonietto encerrou a sessão para que os parlamentares acompanhassem o registro de ocorrência. Outros deputados manifestaram apoio a Clarissa Tércio, enquanto o episódio ampliou a repercussão sobre o ambiente de confronto dentro da comissão.