Virginia estreia na Grande Rio em enredo sobre o Manguebeat

A Acadêmicos do Grande Rio foi a penúltima escola a entrar na Avenida na terça-feira, 17 de fevereiro. Além da expectativa pelo enredo, a noite também marcou a estreia de Virginia Fonseca no Carnaval da tricolor de Duque de Caxias, o que aumentou ainda mais os olhares sobre a apresentação.Com o tema “A nação do mangue”, a escola mostrou uma viagem musical e cultural que nasce na lama e chega ao coração da Sapucaí. A proposta levou Recife como ponto de partida, porém conectou também a força das periferias e das margens, que transformam abandono em potência.A narrativa começou no mangue recifense, onde o rio encontra o mar e a vida se multiplica. Durante anos, muitos enxergaram apenas pobreza e sujeira. Entretanto, quem vivia ali sabia da fertilidade do lugar, berçário de peixes, caranguejos e histórias.Foi desse cenário que surgiu, no início dos anos 1990, uma revolução cultural. Jovens das periferias passaram a dizer que Recife estava sem energia e que a cura viria das margens. Assim nasceu o Manguebeat, movimento que misturou tradição e modernidade com atitude própria.À frente dessa explosão criativa estava Chico Science, que uniu maracatu, coco e ciranda ao rock, hip-hop e à música eletrônica. A lama virou força, o caranguejo virou personagem e a periferia assumiu o centro da narrativa.As letras falaram de desigualdade e abandono, mas também de festa e invenção. Além disso, o Manguebeat inspirou artistas pelo país e mostrou que a cultura das margens podia liderar transformações profundas.Agora, a Grande Rio levou essa trajetória para a Sapucaí e ligou Recife a Duque de Caxias, dois territórios anfíbios, duas periferias vibrantes e cheias de identidade. Para Virginia, a estreia aconteceu justamente nesse cenário de ritmo, resistência e impacto cultural.