Lembra dela? Estrela do Fantástico que abriu show para Ray Charles volta ao Brasil aos 82 anos
Referência da música afro-brasileira e símbolo de resistência, a artista viveu décadas nos EUA ebrilhou na Broadway
Uma das trajetórias mais cinematográficas da nossa música ganha um novo capítulo. Sonia Santos, a voz que personificou a elegância no “Fantástico” dos anos 70, está de volta. A cantora viveu por mais de 30 anos no exterior. Lá, ela construiu uma carreira sólida e abriu shows para lendas como Ray Charles. Hoje, ela retorna para apresentar o espetáculo “Samba Mandou Me Chamar”. As datas dos primeiros shows no Brasil, serão nos nos dias 7 e 8 de maio, às 20h, no Teatro Raul Cortez do Sesc 14 Bis, em São Paulo.Sonia guarda na memória momentos que definiram a era de ouro da TV. Ela relembra com emoção as gravações dirigidas por mestres como Maurício Sherman. Sobre um clipe icônico, ela recorda: “Um dos momentos marcantes que me recordo do Fantástico foi quando gravei em um ringue de box montado no meio do Maracanãzinho vazio, a música de Reginaldo Bessa e Nei Lopez ‘Tributo a Cassius Clay’ – pensei… ‘puxa vida, tô virando uma artista de verdade’”.Além disso, ela destaca a parceria com Jorge Ben Jor no vídeo de “Speed”, que você confere logo abaixo: “Ainda é mágico porque lá estava dançando no vídeo, personificando o malandro ‘Speed’, meu mano amado, agora no céu, Estevam Paulo. Então é um momento de emoção e de saudade”.Em 1990, a preocupação com o cenário social a impulsionou para novos horizontes. Ela explica sua partida: “Eu vim para cá porque eu estava muito preocupada com a situação social e política da negritude no Brasil. Naquele momento fiquei sem condições, energia, acho que espiritual, moral, etc., de continuar a luta ali”. Por isso, aceitou o convite para ser a voz principal do espetáculo “Oba Oba”, que a levou direto para a Broadway.Nos Estados Unidos, Sonia se tornou uma verdadeira embaixadora cultural. Ao lado de Ana Gazzola, ela viveu momentos de glória. Sobre a experiência de abrir para o mestre do Soul, ela detalha: “Em 2000 no Syracuse International Jazz Festival, abrimos para o Ray Charles, era um lugar espetacular, com 45 mil pessoas”.Na ocasião, o produtor afirmou que o público sairia dali feliz por ter descoberto algo “absolutamente novo e inesperado” como o show das brasileiras. Além disso, Sonia abriu apresentações para a diva Nancy Wilson e para o mestre Sérgio Mendes.A cantora sempre despertou a admiração de grandes compositores. Sobre os bastidores com esses ícones, ela revela: “Pura e sincera amizade e admiração. Quando eu estava com Tim, em sua casa, ele mostrava músicas, comentava sobre a cena musical, sempre daquele jeito engraçado e nunca, nunca, ‘enlouquecido’. Conversava como se fora um irmão mais velho… e me ensinou muito através de suas tiradas irônicas, mas nunca menos inteligente. Já o Jorge foi sempre amigo e gentil, e dizia como ele curtiu ouvir ‘SPEED’ na minha interpretação”.Sobre o sentimento de estar de volta, a cantora é enfática: “A voz do samba, para mim, é a voz de Deus! E quando ele chama está mostrando a direção a ser tomada agora. Mesmo após tantos anos nos Estados Unidos, que tem sido bom, nada me fascina mais que seguir a voz de Deus soprada pelo amor e a coragem de meus produtores Brasileiros, José Luiz Coutinho e Marcelo Aouila”.O trablho feito na TV Globo ainda ecoa. Sonia avalia que “o impacto das minhas atuações no ‘Fantástico’, além das participações em trilhas sonoras de novelas da Globo, respaldaram todos os meus passos da vida artística. Ainda hoje, as pessoas me reconhecem nas ruas, mesmo quando me confundem com outras colegas como a Dhu Moraes por exemplo”.Ao revisitar clássicos como “Upa Neguinho”, ela define o peso de sua ancestralidade: “‘Upa Neguinho’ conta sobre meus antepassados pobres, que não posso ignorar, e depois é meu tributo a preciosidade que é Elis Regina. E o ‘Brasileirinho’ do jeito que gravei (ideia do Gutto Graça Mello) descreve com clareza a marca brasileira profunda”. Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)
