O hip-hop perdeu um de seus nomes mais influentes. Afrika Bambaataa morreu aos 68 anos, na quinta-feira, 09 de abril, segundo o site TMZ. De acordo com a publicação, o artista enfrentava um câncer e não resistiu às complicações.Nascido no Bronx, em Nova York, no fim dos anos 1950, Bambaataa construiu sua trajetória em meio ao cenário urbano que deu origem ao hip-hop. Ainda jovem, integrou a gangue Black Spades e chegou ao posto de liderança. No entanto, a partir dos anos 1970, mudou de direção e passou a organizar festas que ajudaram a consolidar a cultura nas ruas do bairro.Esses encontros cresceram rapidamente. Com o tempo, viraram eventos que reuniam DJs, MCs, dançarinos e grafiteiros. Nesse contexto, surgiu também a Universal Zulu Nation, coletivo criado por Bambaataa para promover união e consciência social por meio da música.Em 1980, ele lançou “Zulu Nation Throwdown”, primeiro registro oficial. Ainda assim, foi dois anos depois que o impacto se tornou global. A faixa “Planet Rock”, produzida com Arthur Baker, revolucionou o som ao unir batidas eletrônicas e referências do grupo alemão Kraftwerk. O resultado abriu caminho para o electro-funk e influenciou gêneros como techno, house e EDM.Além disso, a música alcançou o topo das paradas de R&B nos Estados Unidos e se tornou referência para diferentes cenas musicais. A combinação da bateria eletrônica TR-808 com samples eletrônicos moldou uma estética que atravessou décadas.Embora o sucesso tenha sido global, o impacto no Brasil ganhou destaque especial. Nos anos 1980 e 1990, a base de “Planet Rock” inspirou as chamadas “melôs” nos bailes do Rio de Janeiro. Dessa forma, contribuiu diretamente para a formação do funk carioca.O próprio artista reconheceu essa conexão. Em entrevista ao jornal O Globo, em 2010, afirmou: “Vejo minha música no funk carioca, definitivamente. É tudo parte do electro funk, é minha família. Aqui, são usados mais os ritmos mais próximos da África”.Ao longo da carreira, ele manteve laços com o país. Em 2008, participou da Virada Cultural. Já em 2010, realizou uma turnê por diferentes capitais brasileiras.Além da música, Bambaataa também se envolveu em causas sociais. Em 1985, participou do projeto “Sun City”, ao lado de artistas como Joey Ramone, Run-D.M.C. e U2, em protesto contra o apartheid na África do Sul. No Brasil, construiu pontes com nomes importantes. A cantora Fernanda Abreu gravou com ele a faixa “Tambor”, lançada em 2016 no álbum “Amor Geral”. A música mistura batidas do funk com elementos brasileiros, como o berimbau.Ao mesmo tempo, artistas como Marcelo D2 e Rapin Hood reforçaram a influência da Zulu Nation em suas trajetórias. Em “Vai Vendo”, D2 cita os princípios do movimento, enquanto em “1967” homenageia diretamente o pioneiro.Apesar do legado musical, os últimos anos foram marcados por acusações graves. Segundo o TMZ, diversos homens denunciaram Bambaataa por abuso sexual ocorrido nas décadas de 1980 e 1990. Em 2025, uma decisão judicial determinou o pagamento de um acordo a um dos acusadores, após ausência do artista em tribunal.Mesmo diante das controvérsias, a trajetória de Afrika Bambaataa permanece associada acima de tudo à construção do hip-hop como movimento cultural global, com impacto direto em diferentes gerações e territórios.