“Vote like a Brazilian”: vitória de Lula vira bordão dos democratas, e brasileiros entram na campanha das midterms nos EUA

Mão fazendo o L ao lado do adesivo I Voted e da mensagem Hey US, GO VOTE! Let’s learn from BraSil

Dez dias depois da reeleição de Lula, o Brasil virou exemplo nas urnas dos Estados Unidos. Nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3), as midterms, eleitores e ativistas democratas adotaram um bordão inesperado: “Vote like a Brazilian”, ou “vote como um brasileiro”. E os brasileiros não ficaram só assistindo: invadiram as redes americanas com hashtags, mensagens de apoio e até dicas de como enfrentar a extrema direita na internet.

O resultado foi uma noite histórica para os democratas. Segundo a apuração divulgada na manhã desta quarta-feira (4), o partido conquistou a maioria nas duas casas do Congresso: 228 cadeiras na Câmara, onde precisava de 218, e 54 no Senado, onde precisava de 51. No Texas, James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton na disputa pelo Senado.

O grito que veio do Texas

O principal rosto do movimento é o texano Isaiah Martin, ativista e influenciador democrata que ganhou projeção ao enfrentar apoiadores de Donald Trump em debates na internet. Na manhã da eleição, ele publicou o post que virou símbolo da campanha, com mais de 1,6 milhão de visualizações:

O “EXPLODE!!!” não é por acaso. É o bordão do deputado André Janones, que Martin passou a repetir depois de acompanhar a mobilização do Exército do Lula, o canal de WhatsApp que passou de 10 milhões de inscritos na reta final do segundo turno brasileiro.

A relação de Martin com o Brasil começou na noite de 25 de outubro, quando ele comemorou a vitória de Lula, e seus posts passaram a circular entre os brasileiros. A repercussão foi tão grande que chegou até ele na rua. “Uma senhora me disse: minha mãe no Brasil me mandou o seu post. Não tinha caído a ficha de como isso tinha ficado grande”, contou.

#VoteLikeABrazilian

Nos dias anteriores à votação, a hashtag #VoteLikeABrazilian se espalhou entre militantes democratas. Ruben Garcia, por exemplo, misturou a contagem regressiva para as midterms com os “gostosos da Paulista”, o fenômeno das redes na campanha de Lula:

Do lado de cá, os brasileiros perceberam o que estava acontecendo e entraram na onda.

Segundo a Agenda do Poder, outras vozes americanas usaram o exemplo brasileiro. Stacey, apresentadora do podcast The Stacey Show, publicou vídeos sobre a eleição no Brasil e disse que o país “ficou cara a cara com o fascismo e mandou ele ir para o inferno”. A criadora de conteúdo Morgan contou ter recebido mensagens de brasileiros depois de postar um vídeo sobre a importância do voto no Texas. E a atriz Jessica Craven, filha do diretor Wes Craven, recomendou conversar com eleitores “na vida real”.

A ajuda brasileira

A participação brasileira foi além das curtidas. Brasileiros encheram as respostas de políticos e influenciadores democratas com mensagens de apoio e com as hashtags #VoteBlue e #VoteLikeABrazilian. Uma das publicações mais compartilhadas foi de uma brasileira, na véspera da eleição:

O ativista democrata Jon Cooper, que acompanhava a apuração, também recebeu a visita dos brasileiros.

A ajuda mais organizada veio por outro caminho. A organização Feminist, com mais de 6 milhões de seguidores no Instagram, reuniu recomendações feitas por voluntários brasileiros para os eleitores americanos. Entre as dicas, segundo a Agenda do Poder:

  • compartilhar conteúdos favoráveis aos candidatos democratas;
  • evitar interagir com publicações do movimento MAGA, para não ampliar o alcance delas;
  • levar a mobilização para fora das redes;
  • conversar com vizinhos, familiares, amigos e colegas de trabalho, em vez de ficar em silêncio.

São, na prática, as mesmas lições da campanha de Lula, a começar por não dar engajamento ao adversário, que a Revista Úrsula defendia desde 2017 e que o Exército do Lula colocou em prática.

“Thank you, Brazil”

Quando os resultados começaram a sair, a gratidão foi imediata. Na madrugada desta quarta, Isaiah Martin voltou às redes:

Em outra conversa que viralizou, um brasileiro mandou um “Cheers from Brasil” para um americano que comemorava a participação dos eleitores negros na Carolina do Sul. A resposta veio em seguida:

Um brasileiro eleito na Flórida

A noite também teve um brasileiro entre os vencedores. Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, nascido em Duque de Caxias (RJ), foi eleito deputado estadual na Flórida pelo Partido Democrata, o primeiro brasileiro a chegar ao cargo no estado. Ele viveu anos sem documentos nos Estados Unidos. Em Massachusetts, as brasileiras Priscila Sousa e Rita Mendes, também democratas, garantiram mandatos na assembleia estadual.

No Brasil, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) resumiu o clima:

Resultados segundo a apuração divulgada na manhã de 4 de novembro, ainda sujeitos a atualização. Os posts são exibidos por meio da ferramenta de incorporação do X. Foto de capa: reprodução/redes sociais.